Fobia Social
April 18, 2008 · Imprima este Artigo
TRATAMENTO
A fobia social caracteriza-se por um medo excessivo de ser visto a comportar-se de um modo humilhante ou de forma embaraçosa, através de demonstração de ansiedade ou apresentando um desempenho de modo inadequado, e de consequente desaprovação/rejeição por parte dos outros. Os fóbicos sociais podem estar incluídos num subtipo generalizado (medo da maioria das situações de interacção social e de desempenho) e num subtipo mais circunscrito (medo de uma situação pública de desempenho e de algumas situações de interacção social) (DSM-IV, APA, 1994). As situações de desempenho mais temidas são: falar em público, comer e beber na frente dos outros, urinar num banheiro público e entrar numa sala onde já existam pessoas sentadas. As situações de interacção incluem: conversar ao telefone, falar com estranhos, participar de reuniões sociais, interagir com o sexo oposto, lidar com figuras de autoridade, devolver mercadoria numa loja e manter contacto ocular com pessoas não familiares (Hazen e Stein, 1995). As formas generalizadas e circunscritas de fobia social apresentam diferenças significativas quanto ao início, curso, prognóstico e tratamento (Falcone, 1995).
De acordo com o modelo cognitivo de Clark e Wells (1995), os indivíduos com fobia social possuem uma crença negativa relacionada à auto-desvalorização (ex.: “Eu sou insignificante”; “Eu não tenho valor”; etc.). As suposições e as regras construídas para lidar com essa crença central incluem: “Se eu demonstrar segurança e falar de forma impecável, serei respeitado pelos outros”; “Se eu falhar ou me mostrar inseguro, os outros irão desprezar-me”; “É humilhante demonstrar ansiedade”. A partir dessas suposições e regras, os fóbicos sociais criam estratégias para enfrentar as situações sociais (excessiva atenção ao próprio comportamento, padrões irrealistas de desempenho, etc.) que acabam fortalecendo a ansiedade e a crença negativa. Assim, o aspecto central da fobia social parece ser um forte desejo de causar uma boa impressão nos outros e uma insegurança marcante quanto à própria habilidade em conseguir esse objectivo.
Numa situação social, o indivíduo com fobia social acredita que irá comportar-se de forma inapta ou inadequada e, como consequência, será rejeitado, rebaixado, desacreditado. Ele vê a situação social como perigosa e essa avaliação de perigo irá activar um “programa de ansiedade”, que envolve reacções cognitivas, fisiológicas e comportamentais. Essas reacções interagem umas com as outras de tal forma que mantêm o transtorno, ou seja, impedem que o fóbico social desconfirme as suas crenças negativas sobre os perigos sociais (Clark e Wells, 1995; Wells, 1997; Wells e Clark, 1997).
Os processos característicos da Perturbação de ansiedade social que mantém as crenças de perigos sociais são especificados a seguir:
A – Atenção auto-focada e auto-processamento negativo
Numa determinada situação social, o indivíduo com ansiedade social dirige a atenção para si mesmo, num processo chamado de atenção auto focada.
Em vez de prestar atenção nos sinais emitidos pela outra pessoa, ele fica atento ao próprio desempenho e emoções. Essa auto-observação gera ansiedade e interfere na interacção com a outra pessoa. O indivíduo, então, avalia-se negativamente e assume que essa avaliação negativa é feita pela outra pessoa. Por exemplo, o indivíduo pode experimentar uma forte sensação de tremor e achar que os outros estão percebendo as suas mãos a tremerem vigorosamente, quando na verdade o interlocutor pode perceber um leve tremor ou até mesmo nada (Wells, 1997).
B – Comportamentos de segurança
Para minimizar os efeitos negativos esperados nas situações sociais, o fóbico social procura encobrir as “falhas” ou manifestação de ansiedade perpetuando comportamentos de segurança, tais como: segurar um copo com força para não aparentar tremor; ensaiar um discurso várias vezes e falar rapidamente para evitar pausas longas e dar a impressão de segurança; ensaiar as frases mentalmente antes de falar; vestir uma camisa por baixo de outra camisa para encobrir o suor; cruzar braços e pernas para encobrir tremor; monitorar a fala para evitar lapsos verbais; olhar em volta para evitar contacto ocular etc.
Os comportamentos de segurança impedem que o indivíduo desconfirme as crenças negativas sobre as reacções que ele teme manifestar e sobre as consequências dessas manifestações (por ex.: manifestar tremor significa ser rejeitado, desprezado, desvalorizado). Os comportamentos de segurança também podem favorecer o aumento de manifestações temidas segurar um copo com força pode favorecer o (tremor) (Wells, 1997).
C – Efeitos dos comportamentos do ansioso social sobre o comportamento das outras pessoas
AS avaliações negativas aliadas aos comportamentos de segurança podem dar uma impressão pouco amigável ou entusiástica. Ao prestar pouca atenção no interlocutor, o fóbico social cria deficiências na interacção e faz com que a outra pessoa se distancie, contribuindo assim para a manutenção da fobia social (Wells, 1997).
D – Processamento antecipatório e pós-evento
Antes de enfrentar uma situação social, o indivíduo com fobia social é dominado por lembranças de falhas passadas, por pensamentos negativos sobre si mesmo, por predições de desempenho pobre e rejeição. Esses pensamentos activam a ansiedade antecipatória e o indivíduo tende a evitar a situação. Se por qualquer motivo tiver de enfrentar a situação, tende a fazer avaliações negativas de si, ignorando ou desvalorizando qualquer sinal de aceitação por parte dos outros.
Ao sair da situação, o indivíduo faz uma avaliação à posteriori do evento, revendo a interacção, processando os sentimentos de ansiedade e a auto-percepção negativa. A situação é avaliada como muito mais negativa do que foi realmente. O indivíduo experimenta vergonha e a experiência passa a ser adicionada à lista de falhas passadas, aumentando e contribuindo para a manutenção do problema. (Clark e Wells, 1995; Wells, 1997; Wells e Clark, 1997).
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