O que é o stress?
April 19, 2008
De uma maneira muito geral, a resposta de stresse é uma reacção imediata e intensa, que implica a mobilização geral dos recursos do organismo, e produz-se frente a situações que supõem importantes exigências para o indivíduo, seja por implicar uma perda (por exemplo, a morte de um ente querido ou uma ruptura sentimental), ou então por tratar-se de uma ameaça (seja por ameaça directa à sua vida, ou por ameaça de um cliente cancelar o pedido de compra ou pelo patrão ameaçar de despedimento), ou ainda por um desafio (como a possibilidade de ganhar uma competição desportiva). Esta reacção geral inclui respostas fisiológicas (o coração acelera, aprecem suores frios, os músculos ficam tensos…), respostas cognitivas (aumento da atenção a estímulos presentes na situação, maior rapidez de pensamento…) e respostas motoras (basicamente, fugir do perigo ou lutar contra ele), todas estas respostas devem servir para facilitar um melhor processamento da situação a estímulos presentes para uma resposta mais efectiva.
A resposta de stresse em si não é nociva. Pelo contrário trata-se de uma reacção adaptativa que permitiu a nossa sobrevivência ao longo dos tempos. É muito útil e vital para dar respostas a situações de ameaça. No entanto quando esta reacção aparece de forma muito frequente, intensa ou duradoura, pode produzir um desgaste nos recursos, que conduz ao aparecimento de problemas diversos (por exemplo, diminuição de rendimento, mal-estar físico e emocional, predisposição acentuada para doenças…), que se denominam de maneira genérica de patologias associadas ao stresse.
Estas patologias surgem em várias circunstâncias, em concreto quando:
a) A pessoa expõe-se a um grande número de situações ameaçantes ou a situações anormalmente intensas e duradouras. Por serem situações que implicam novidade, incerteza, ambiguidade…dependem das condições de vida da pessoa, mas também da sua própria incapacidade para resolver a situação, o que contribui para que uma determinada situação se mantenha e prolongue no tempo.
b) A pessoas “rumina” ou faz interpretações erróneas acerca das situações que enfrenta, de modo que:
- Identifica como ameaçantes situações que não são
- Identifica um grau de ameaça despropositado da situação
- Tarda em identificar uma situação como stressante
- Considera que não possui estratégias para fazer frente às situações
c) A pessoa activa-se fisiologicamente, o que se torna inútil na grande maioria dos casos, dado que na sociedade moderna grande parte das situações requer uma resposta pouco intensa (por exemplo pisar o travão, utilizar o teclado de um computador). Isto supõe que grande parte dos recursos mobilizados não se utilizam, pelo que acresce ao desgaste produzido pela mobilização, o perigo de que estes produtos não utilizados se acumulem em determinadas zonas do organismo podendo deteriorar a sua actuação.
d) A pessoa emite respostas inadequadas perante a situação:
-Porque a pessoa não dispõe de um reportório de estratégias para fazer frente à situação.
-Porque apesar de dispor das estratégias não as coloca em marcha no momento adequado, pois não reconhece os indícios ambientais que indicam quando deverá colocá-las em acção.
-Porque essas estratégias são inibidas por respostas emocionais.
-Porque existem obstáculos à emissão dos comportamentos adequados
Factor stressante
É um acontecimento, uma situação, uma pessoa ou objecto percebido como elemento stressante que induz à reacção de stress. Os factores stressantes podem variar amplamente quanto à natureza, abrangendo desde componentes psicossociais e comportamentais, como frustração, ansiedade e sobrecarga, até componentes de origem bioecológica e física, incluindo o ruído, a poluição, temperatura e nutrição. A imaginação e a antecipação também podem agir como factores stressantes e desencadear reacções de stress.
Causas do stresse
Algumas causas de stresse:
- Mudanças: uma certa dose de mudança é necessária. Entretanto, se as mudanças violentas podem ultrapassar nossa capacidade de adaptação.
- Sobrecarga: a falta de tempo, o excesso de responsabilidade, a falta de apoio e expectativas exageradas.
- Alimentação incorrecta: não é apenas importante o que comemos, mas também como comemos.
- Fumar: o cigarro libera nicotina que, na fase de menor concentração, já provoca reacções de stresse leve, depois bloqueia as reacções do organismo e causa dependência psicológica.
- Ruídos: coloca-nos sempre em alerta, provoca a irritação e a perda de concentração desencadeando reacções de stresse, que podem levar até a exaustão.
- Baixa auto-estima: tende a se agravar o stresse nestas pessoas.
- Medo: o medo acentua nas pessoas a preocupação sem necessidade, uma atitude pessimista em relação à vida ou lembranças de experiências desagradáveis.
- Trânsito: os congestionamentos, os semáforos, e a contaminação do ar podem desencadear o stresse.
- Alteração do ritmo habitual do organismo: provoca irritabilidade, problemas digestivos, dores de cabeça e alterações no sono.
- Progresso: a agitação do progresso técnico é acompanhada de aumento das pressões e de sobrecarga de trabalho, aumentando os níveis de exigências, qualitativas e quantitativas.
Anatomia do stresse agudo
A reacção de stresse e suas consequências afectam principalmente:
- O cérebro: este produz uma família de substâncias conhecidas como opiáceos, responsáveis pela sensação de bem-estar, e serotonina que faz o corpo relaxar. Submetido ao estresse, o cérebro diminui a produção das duas. Com isso, a pessoa torna-se irritável e, às vezes, insone.
- Os maxilares: a pessoa stressada costuma ranger os dentes, o que pode desgastá-los e deslocá-los da mandíbula a ponto de pressionar os nervos da face. Isso produz zunidos nos ouvidos e até tontura.
- Glândulas supra-renais: fabricam adrenalina e noradrenalina, que mantém o corpo alerta, e cortisol, que activa os músculos. Em excesso, o cortisol reduz a resistência a infecções, pode causar morte de neurónios, envelhecimento cerebral e perda de memória.
- Coração: a noradrenalina, produzida nas supra-renais, acelera os batimentos cardíacos, provoca uma alta pressão arterial e, quando produzida por longos períodos, sobrecarrega o músculo cardíaco.
- Pulmões: a tensão acelera a respiração. Para quem sofre de asma, acelera as crises.
- Pele: sob stresse, os vasos sanguíneos periféricos contraem-se e a pele é menos irrigada. Se o stresse é constante, o envelhecimento deste tecido é mais rápido.
- Estômago: o cérebro ordena o estômago que produza mais ácidos e menos suco gástrico. O excesso de acidez unido à queda da resistência da mucosa gástrica a infecções pode provocar úlceras e gastrites.
- Mãos: um dos maiores indicadores de tensão é suar frio nas mãos e nos pés, devido à vasoconstrição periférica, decorrente da acção do simpático.
- Órgãos sexuais: nas mulheres, o stresse diminui os níveis de progesterona, podendo causar queda da libido e distúrbios que causam cólicas terríveis, no período menstrual. Nos homens e mulheres, os efeitos do stresse prejudicam o desempenho sexual, tanto na erecção, quanto no entumescimento da vagina, por constrição dos vasos sob efeito simpático.
- Articulações: situações de stresse podem desencadear crises em pessoas que sofrem de artrite e reumatismo, pelo aumento da destruição dos tecidos ósseos e perda de cálcio.
Sintomas fisiológicos e comportamentais do stresse
As reacções desencadeadas pelo stresse atingem o cérebro e a totalidade das funções do organismo, causando:
- Insónia: o sono tem grande importância para a resistência ao stresse, uma vez que é a principal fonte de recuperação física, mental e psicológica.
- Cansaço físico e mental: uma certa dose de stresse nos estimula a um maior rendimento. Mas, além de um limite, produz efeito contrário.
- Ansiedade: a ansiedade não é apenas um sintoma, mas causa do stresse, quando nos coloca em situação de conflito, gerando alerta pela incapacidade imperiosa de tomar providências quando a situação se degrada.
- Álcool e fumo: muitas vezes as pessoas recorrem a estes usos para combater o stresse. Entretanto, eles não apenas não servem para este propósito como contribuem para aumentar o stresse.
- Medicamentos soníferos e relaxantes: esta atitude alivia os sintomas, mas não combate as causas, que perduram.
- Sistema imunológico: um quadro de stresse prolongado debilita o sistema imunológico, facilitando a incidência de doenças.
- Enfermidades cardiovasculares: o stresse pode levar a hipertensão, arteriosclerose e enfarto do miocárdio.
- Outros sintomas possíveis: perda de apetite, problemas digestivos, úlceras gástricas, obesidade, contracções musculares, dores de cabeça, agressividade, transtornos psíquicos, problemas sexuais e outros.
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Dr. Miguel Lucas
Psicólogo
Fobia Social
April 18, 2008
TRATAMENTO
A fobia social caracteriza-se por um medo excessivo de ser visto a comportar-se de um modo humilhante ou de forma embaraçosa, através de demonstração de ansiedade ou apresentando um desempenho de modo inadequado, e de consequente desaprovação/rejeição por parte dos outros. Os fóbicos sociais podem estar incluídos num subtipo generalizado (medo da maioria das situações de interacção social e de desempenho) e num subtipo mais circunscrito (medo de uma situação pública de desempenho e de algumas situações de interacção social) (DSM-IV, APA, 1994). As situações de desempenho mais temidas são: falar em público, comer e beber na frente dos outros, urinar num banheiro público e entrar numa sala onde já existam pessoas sentadas. As situações de interacção incluem: conversar ao telefone, falar com estranhos, participar de reuniões sociais, interagir com o sexo oposto, lidar com figuras de autoridade, devolver mercadoria numa loja e manter contacto ocular com pessoas não familiares (Hazen e Stein, 1995). As formas generalizadas e circunscritas de fobia social apresentam diferenças significativas quanto ao início, curso, prognóstico e tratamento (Falcone, 1995).
De acordo com o modelo cognitivo de Clark e Wells (1995), os indivíduos com fobia social possuem uma crença negativa relacionada à auto-desvalorização (ex.: “Eu sou insignificante”; “Eu não tenho valor”; etc.). As suposições e as regras construídas para lidar com essa crença central incluem: “Se eu demonstrar segurança e falar de forma impecável, serei respeitado pelos outros”; “Se eu falhar ou me mostrar inseguro, os outros irão desprezar-me”; “É humilhante demonstrar ansiedade”. A partir dessas suposições e regras, os fóbicos sociais criam estratégias para enfrentar as situações sociais (excessiva atenção ao próprio comportamento, padrões irrealistas de desempenho, etc.) que acabam fortalecendo a ansiedade e a crença negativa. Assim, o aspecto central da fobia social parece ser um forte desejo de causar uma boa impressão nos outros e uma insegurança marcante quanto à própria habilidade em conseguir esse objectivo.
Numa situação social, o indivíduo com fobia social acredita que irá comportar-se de forma inapta ou inadequada e, como consequência, será rejeitado, rebaixado, desacreditado. Ele vê a situação social como perigosa e essa avaliação de perigo irá activar um “programa de ansiedade”, que envolve reacções cognitivas, fisiológicas e comportamentais. Essas reacções interagem umas com as outras de tal forma que mantêm o transtorno, ou seja, impedem que o fóbico social desconfirme as suas crenças negativas sobre os perigos sociais (Clark e Wells, 1995; Wells, 1997; Wells e Clark, 1997).
Os processos característicos da Perturbação de ansiedade social que mantém as crenças de perigos sociais são especificados a seguir:
A – Atenção auto-focada e auto-processamento negativo
Numa determinada situação social, o indivíduo com ansiedade social dirige a atenção para si mesmo, num processo chamado de atenção auto focada.
Em vez de prestar atenção nos sinais emitidos pela outra pessoa, ele fica atento ao próprio desempenho e emoções. Essa auto-observação gera ansiedade e interfere na interacção com a outra pessoa. O indivíduo, então, avalia-se negativamente e assume que essa avaliação negativa é feita pela outra pessoa. Por exemplo, o indivíduo pode experimentar uma forte sensação de tremor e achar que os outros estão percebendo as suas mãos a tremerem vigorosamente, quando na verdade o interlocutor pode perceber um leve tremor ou até mesmo nada (Wells, 1997).
B – Comportamentos de segurança
Para minimizar os efeitos negativos esperados nas situações sociais, o fóbico social procura encobrir as “falhas” ou manifestação de ansiedade perpetuando comportamentos de segurança, tais como: segurar um copo com força para não aparentar tremor; ensaiar um discurso várias vezes e falar rapidamente para evitar pausas longas e dar a impressão de segurança; ensaiar as frases mentalmente antes de falar; vestir uma camisa por baixo de outra camisa para encobrir o suor; cruzar braços e pernas para encobrir tremor; monitorar a fala para evitar lapsos verbais; olhar em volta para evitar contacto ocular etc.
Os comportamentos de segurança impedem que o indivíduo desconfirme as crenças negativas sobre as reacções que ele teme manifestar e sobre as consequências dessas manifestações (por ex.: manifestar tremor significa ser rejeitado, desprezado, desvalorizado). Os comportamentos de segurança também podem favorecer o aumento de manifestações temidas segurar um copo com força pode favorecer o (tremor) (Wells, 1997).
C – Efeitos dos comportamentos do ansioso social sobre o comportamento das outras pessoas
AS avaliações negativas aliadas aos comportamentos de segurança podem dar uma impressão pouco amigável ou entusiástica. Ao prestar pouca atenção no interlocutor, o fóbico social cria deficiências na interacção e faz com que a outra pessoa se distancie, contribuindo assim para a manutenção da fobia social (Wells, 1997).
D – Processamento antecipatório e pós-evento
Antes de enfrentar uma situação social, o indivíduo com fobia social é dominado por lembranças de falhas passadas, por pensamentos negativos sobre si mesmo, por predições de desempenho pobre e rejeição. Esses pensamentos activam a ansiedade antecipatória e o indivíduo tende a evitar a situação. Se por qualquer motivo tiver de enfrentar a situação, tende a fazer avaliações negativas de si, ignorando ou desvalorizando qualquer sinal de aceitação por parte dos outros.
Ao sair da situação, o indivíduo faz uma avaliação à posteriori do evento, revendo a interacção, processando os sentimentos de ansiedade e a auto-percepção negativa. A situação é avaliada como muito mais negativa do que foi realmente. O indivíduo experimenta vergonha e a experiência passa a ser adicionada à lista de falhas passadas, aumentando e contribuindo para a manutenção do problema. (Clark e Wells, 1995; Wells, 1997; Wells e Clark, 1997).
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Dores de Cabeça
April 18, 2008
Dores de Cabeça
(enxaquecas e cefaleias)
A terapia Cognitivo-Comportamental tem-se mostrado eficiente no tratamento da dor crónica. Especificamente nas cefaleias e enxaquecas é relevante a discussão crítica dos factores antecedentes e consequentes a uma crise de dor. Ela permite que o doente identifique esses factores, sejam eles ambientais, emocionais, comportamentais ou cognitivos, e a interligação que existe entre eles. A essa identificação segue-se a sugestão de técnicas instrumentais Cognitivo-Comportamentais, destacando-se a revisão dos pensamentos distorcidos e a sua ligação com a carga emocional negativa que acompanha a vivência da dor. O objectivo desta abordagem é não só possibilitar à pessoa uma mudança da percepção da dor, como também propiciar a recuperação e/ou a melhoria da qualidade de vida (muitas vezes prejudicada de forma incapacitante), através de estratégias de enfrentamento aprendidas. Programas de tratamento baseados no modelo Psicoterapêutico Cognitivo-Comportamental têm demonstrado eficácia no controle da dor crónica em geral (Bonica, 1990; Main e Spanswick, 2000).
PROTOCOLO DE TRATAMENTO
Num primeiro momento, a abordagem Cognitivo-Comportamental tem por objectivo providenciar a pessoa com instrumentais que facilitem a convivência com a dor crónica, além de toda a informação disponível sobre o que é o modelo, a doença, os factores desencadeantes e consequentes de dor.
Esclarecemos a pessoa acerca de:
• O que é cefaleia e a enxaqueca e por que se consideram um tipo de dor crónica.
• Que a dor é uma percepção que envolve aspectos cognitivos, afectivos e comportamentais.
• Que a dor demanda tratamento quer seja médico como não-medicamentoso a médio e longo prazo.
• Que a dor pode inibir determinadas actividades ou até incapacitar a vida do dia a dia num grau elevado, quando não tratada adequadamente.
• As implicações familiares, profissionais e sociais que delas acarretam.
Num segundo momento, a pessoa é levada a analisar a ligação entre pensamento, emoção, comportamentos e factores ambientais, que contribuem tanto para o surgimento quanto para a perpetuação dos sintomas da doença. Nessa etapa, incentiva-se a pessoa:
• Criar e manter a aderência ao tratamento.
• Diminuir a ingestão de medicamentos analgésicos.
• Substituir comportamentos que possam desencadear crises de cefaleias por aqueles que possam preveni-las e diminuir a percepção da dor.
• Controlar os desencadeantes e consequências ambientais, alimentares e emocionais.
• Uma reestruturação cognitiva.
• Envolver a família no tratamento.
• Tratar a depressão e a ansiedade ligadas à dor ou como co-morbilidades.
O segundo momento da abordagem compreende 3 etapas:
A – Identificação dos factores antecedentes e consequentes a uma crise de cefaleia e/ou enxaqueca. Os antecedentes são os eventos que precedem uma crise de dor. Muitos doentes ignoram, por exemplo, que alimentos, variação de temperatura e situações de confronto com outras pessoas podem desencadear uma crise horas ou mesmo um dia após terem ocorrido. Esses antecedentes, incluem comportamentos (por exemplo, excesso de compromissos, hábitos de sono e de alimentação irregulares), afectos (tais como ansiedade, depressão), a maneira como a pessoa pensa (autocrítica severa, pensamentos negativos, catastróficos, etc.).
Os factores consequentes à crise de dor também envolvem comportamento, emoção e pensamento: tensão muscular em resposta à dor, uso excessivo de medicação analgésica, absentismo, perda de dias de trabalho/aulas, derrotismo diante da intensidade da crise de dor.
A pessoa é levada a analisar os factores antecedentes/consequentes, num protocolo, por escrito. Durante as sessões iniciais, ela discute com o terapeuta alternativas mais adequadas para lidar com a situação.
Elabora-se, a partir da identificação dos antecedentes/consequentes, um plano de tratamento que incluiu:
• Envolvimento dos familiares no tratamento;
• Melhoria da comunicação no ambiente doméstico;
• Reestruturação cognitiva;
• Controle da ingestão de analgésicos;
• Técnicas de relaxamento
• Técnicas de distracção da dor
• Técnica de bio-absorção imagética
• Técnicas de massagem terapêutica facial
• Planeamento e inclusão gradual de actividades físicas na rotina;
• Orientação dietética.
B – Identificação e mudança das cognições e emoções relacionadas à cefaleia e/ou enxaqueca. Nesta segunda etapa, explicamos à pessoa que crises severas e recorrentes de cefaleia desencadeiam emoções geralmente intensas, tais como ansiedade, depressão, raiva, sentimentos de culpa, desespero, frustração, cólera. Essas emoções são identificadas através de pensamentos distorcidos e automáticos, tais como: “Por que eu? Ninguém me entende”; “Eu não sirvo para nada mesmo”, “Com essa dor sou imprestável”. A díade pensamentos/emoções que acompanha a dor faz com que ela piore. Técnicas que possibilitem ao doente reformulação desses pensamentos terão reflexos sobre as emoções e podem alterar a vivência da dor, fazendo com que ela se torne suportável.
C – Mudança dos comportamentos relacionados à dor. À medida que a dor se vai instalando e as crises ficam recorrentes, pessoas com cefaleia, além de gradativamente diminuírem as actividades, começam inicialmente por cortar aquelas que dão mais prazer - por exemplo, ir a um cinema, para depois começar a faltar no trabalho, na escola e nas demais actividades consideradas obrigatórias. Como resultado, a depressão pode acentuar, e sentimentos de baixa auto-estima e aqueles ligados à incapacidade começam a surgir. Muitas vezes esses doentes têm frenofobia – medo de estarem a ficar loucos - pois a dor, situada na cabeça, sem aparente razão, leva-os a fantasiar que “tenho alguma coisa de errado comigo”. A família e os amigos podem acentuar essa suspeita infundada, com comentários do tipo: “Isso é psicológico! Deverias fazer terapia!”, ou “Por causa de uma dorzinha já te estás a queixar? Reage, será que não estás a exagera só para chamar a atenção?”.
A família pode também incentivar o comportamento doloroso quanto à toma de medicamentos, ou então vê a pessoa como um “coitadinho, está sempre tão doente!”. Informação, estabelecimento de objectivos a curto, médio e longo prazo, contratos comportamentais, nos quais o doente se compromete a fazer uma actividade física em lugar de ficar, por exemplo, em casa, são muito úteis. A inclusão de exercícios, relaxamento e a possibilidade de massagens específicas possibilitam ao doente maior contacto com o próprio corpo e identificá-lo como fonte de prazer, e não só de dor.
A prática tem demonstrado que, assim que a pessoa doente nota diminuição da intensidade ou da frequência das crises, fica mais propenso a substituir comportamentos de dor e mesmo a incluir novos comportamentos à sua rotina.
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Dr. Miguel Lucas
Psicólogo
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Desordem de Pânico
April 18, 2008
TRATAMENTO
O tratamento é breve quando focaliza a redução da ansiedade geral, dos ataques de pânico e da esquiva fóbica. Terapeuta e paciente trabalham em colaboração, planeando estratégias para lidar com as dificuldades expressas pela pessoa. A auto-aplicação, entre as consultas, das técnicas aprendidas é essencial para o sucesso do tratamento e para a manutenção da melhora clínica a longo prazo. As sessões são planeadas através de uma agenda que contém os alvos e as metas a serem alcançados na semana, os procedimentos apresentados, a revisão de diários com as respectivas tarefas de casa, os acontecimentos importantes relacionados ao tratamento e o planeamento dos próximos passos. Tarefas de casa são fundamentais para que o paciente possa praticar os procedimentos aprendidos em consulta e verificar o grau de seu aprendizado na gestão da ansiedade e dos desencadeantes dos ataques de pânico. A utilização de diários permite identificar problemas e dificuldades na realização dos exercícios, adaptar as estratégias usadas e avaliar o progresso alcançado.
A primeira etapa da terapia é a de avaliação de todos os componentes da Desordem de Pânico, como duração, frequência e intensidade, e principalmente os desencadeantes do quadro, como factores de stress, dificuldades interpessoais, pensamentos ansiogénicos, sensações corporais, ansiedade antecipatória, esquiva fóbica e ataques de pânico limitados, os situacionais e espontâneos. Factores como presença de depressão ou outras patologias associadas são levadas em consideração. Problemas decorrentes de complicações da desordem, como os de origem familiar e conjugal, devem ser identificados na fase inicial da terapia.
Dificuldades de ordem diversa podem ser abordadas rapidamente, mas se requererem maior tempo e atenção deverão ser, no momento apropriado, encaminhadas para uma terapia mais abrangente.
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